Há algum tempo venho trabalhando a vontade de escrever
sobre a Elizabeth, mas confesso que assim como foi para o Sr. Darcy, não esta
sendo uma tarefa muito fácil, porque além de ser suspeita, eu tenho um carinho
enorme por ela.
Elizabeth, de todas as heroínas de Austen que tive o
prazer de conhecer, para mim é a mais especial. Dona de uma personalidade
forte, ela, conforme iniciamos a leitura, não é completamente descrita, pelo
menos não fisicamente, mas nas primeiras linhas percebemos que ela de fato era
uma jovem alegre e altiva, que diz o que pensa, mesmo que isso faça com que ela
tenha opiniões precipitadas. Elizabeth desde o iniciou mostrou-se ser uma
personagem bem observadora e de personalidade, e em minha opinião os embates
existentes entre ela e Darcy eram inteligentes e cheios de significados nas
entrelinhas, e isso fez deles o meu casal favorito. Era engraçado; mesmo com
todas as regras da época, ela conseguia se impor e expressar sua opinião de
forma eloquente, e isso chamava e muito a atenção dele (Darcy), por ser reservado
e não ter muito contato com outras mulheres de personalidade semelhante.
No entanto, quem conheceu está personagem singular sabe
que ela não é feita apenas de qualidades, como qualquer outro ser humano. Em
muitos momentos a percepção de Elizabeth não foi das melhores, o que a fez
julgar de maneira demasiada o Sr. Darcy, e também a sua falta de um julgamento
justo baseado em fatos concretos e no conhecimento de ambos os lados da
história tiveram consequências alarmantes e que quase a arruinaram.
Estava cada vez mais envergonhada de si mesma. Não conseguiu pensar nem em Darcy nem em Wickham sem sentir que fora cega, parcial, preconceituosa e absurda.
- Como foi desprezível o que fiz! - exclamou ela. – Logo eu, que sempre me orgulhei do meu discernimento! Eu, que sempre me gabei de minhas habilidades! Que muitas vezes desdenhei a generosa candura de minha irmã e satisfazia a minha vaidade com uma desconfiança inútil ou culpável! Que descoberta humilhante! E, no entanto, que humilhação justa! Se estivesse apaixonada, não poderia ter sido mais miseravelmente cega! Mas a minha Loucura foi à vaidade, não o amor. Lisonjeada com as atenções de um e ofendida com o desdém do outro, logo que os conheci, adotei o preconceito e a ignorância e despedi a razão, quando tive de optar. Até agora eu não me conhecia.
Mas, a característica que mais chamou a minha atenção em Elizabeth
foi a sua atitude quando reconheceu que estava errada. Pois, com a
personalidade que ela tinha, tal tarefa poderia ser exaustiva, mas com ela foi
o contrário. Reconhecer seu erro forçou uma mudança em sua conduta e opiniões,
e esse talvez seja o mais difícil tipo de mudança. E ela, que antes era tão
segura de suas atitudes começa a se sentir mais tímida; o que não significa que
ela tenha retrocedido, apenas aquele excesso de alto confiança é amenizado,
para o bem de seus próprios julgamentos. Elizabeth começa a enxergar além das
aparências, e a perceber de fato o verdadeiro caráter das pessoas em detrimento
das primeiras opiniões que se tem delas. Pode-se até afirmar que após tal erro cometido
Elizabeth tentou não julgar mais com tanta pressa o caráter das pessoas sem
antes ter evidência de tal. E com todas essas mudanças ela começou a enxergar
algo que antes não havia percebido, e com isso, começar a aprender a amar
verdadeiramente alguém (no caso, apenas o personagem mais apaixonante de todos
os tempos).
Enfim, ela é uma personagem que me ensinou muito durante
a leitura, e ambém alguém por quem tenho um carinho imenso. De todos os livros
que li e casais que conheci, este de fato é o casal que mais adoraria conhecer,
se pudesse ter o benefício da língua encantada de Mo (Coração de Tinta). Se
você ainda não leu este clássico eu recomendo, por ser um livro lindo,
apaixonante e cheio de personagens que de alguma forma você vai ser
identificar. E agora termino esse texto com um dos meus trechos favoritos:
Sentindo-se tranqüila, Elizabeth começou logo a gracejar. Pediu a Mr. Darcy que explicasse como se tinha apaixonado por ela.
— Como pôde começar? — perguntou ela. — Posso compreender perfeitamente que tenha continuado uma vez feito o primeiro passo, mas que foi que o impulsionou?
— Não posso fixar a hora ou o lugar. Isto já foi há muito tempo. Eu já estava no meio e ainda não sabia que tinha começado.— Minha beleza, você a tinha negado desde o princípio. E quanto às minhas maneiras, meu comportamento para com você sempre beirou a falta de educação. E quase sempre, quando me dirigia a você, era com o intuito de feri-lo. Agora seja sincero: foi por causa da minha impertinência que me admirou?— Pela vivacidade da sua inteligência, sim.
Abraços e um ótimo fim de
semana,
Amanda Almeida
- quinta-feira, janeiro 24, 2013
- 30 Comments


.jpg)







